quarta-feira, 10 de março de 2010

Inclusão e cidadania: figurantes do ensino regular em extinção

Todos têm direito à educação: cabe a nós
descobrir como cada um deles aprende.
Foto: Luciane Pavini

É com otimismo que observamos o avanço do processo de inclusão escolar nesta última década. Vários fatores têm contribuído para que mudanças venham ocorrendo no sistema educacional e, mais especificamente, em algumas escolas. Dentre eles, destacamos o apoio da mídia, a criação de leis, assinatura de decretos, cursos para formação de professores, custeio de equipamentos e materiais pedagógicos adaptados, construção de salas multifuncionais para o atendimento educacional especializado, enfim, uma gama de recursos investidos na educação para melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência.

No entanto, para fazermos cumprir as leis, deparamo-nos com inúmeros desafios e obstáculos que vão desde a resistência por parte de alguns profissionais de diferentes áreas, da maioria dos pais até os entraves relacionados à acessibilidade, em todos os níveis, e às parcerias com alguns profissionais da área médica - que por desconhecerem a seriedade do trabalho especializado da área educacional, acabam comprometendo, embora não deliberadamente, o processo de inclusão.

Com relação ao grande número de professores, ainda sem a formação inclusiva, observamos, de sua parte, a angústia, a ansiedade, o medo e muitas dúvidas. Realmente, é natural que se comportem assim diante de desafios dessa monta. Contudo, não precisam permanecer neste estágio. Eles têm que sobrelevar, buscar caminhos e não fórmulas, receitas prontas ou manuais - até porque eles não existem.

A diversidade é tão grande que, só conhecendo cada caso, teremos condições de descobrir como essa pessoa com deficiência aprende, do que necessita, quais as competências que ela traz consigo e, ninguém se iluda: não é nenhum curso que vai lhe dar essas respostas. É lógico que eles ajudam, facilitam, esclarecem, mas somente o convívio, a troca, a tentativa de comunicação é que nos darão o norte para explorarmos suas inteligências múltiplas e oferecer-lhes condições adequadas para aprender e, desta forma, garantir o cumprimento do seu direito à educação e ao pleno exercício de sua cidadania.


Inclusão escolar: não há mais espaço para figurantes
Foto: Luciane Pavini

Se não tivermos a sensibilidade de admitir que pessoas com deficiência precisam ser abrangidas e não lhes dermos a atenção e o apoio necessários, elas apenas estarão inseridas, e não inclusas em sala de aula, ocupando carteiras e papéis de importância secundária – o que provoca reações diferenciadas: alguns permanecem passivos, outros demonstram sua insatisfação através de atitudes agressivas como forma de chamar a atenção para si.

Portanto, para que tenhamos condições de atendê-los, de forma criativa e eficiente, se fazem necessárias muitas trocas de experiências entre as pessoas comprometidas com a inclusão e a constante busca de parcerias com a família e com os profissionais de outras áreas. Elas são relevantes e nos darão tranquilidade para educar na diversidade, observando a ética, e jamais permitindo que os alunos com deficiência sejam meros figurantes do ensino regular.

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