sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Dia do Estudante



ORAÇÃO DO ESTUDANTE

Aprender é um dom precioso. Desde o primeiro dia aqui, estou aprendendo. Os professores ensinam as lições. Lições são aprendidas nos livros lidos e relidos. Lições são ensinadas nos trabalhos, projetos. Lições são partilhadas na delicada arte de conviver.
Cada estudante traz em si um grande tesouro. Ninguém é tábua rasa. Ninguém é vazio. Somos todos gigantes em potencial. Aqui chegamos e começamos. Começamos a manifestar o quanto remos para oferecer. O quanto temos para receber.
Somos rebeldes, Senhor! Alguns manifestam uma agressividade desmedida. Não são maus. São carentes. Desejosos de atenção. Contestam sem o menor motivo, apenas para afirmar sua presença. Sofrem da falta de atenção. Sofrem da falta de família. Sofrem da falta de sonho.
Somos rebeldes. Outros têm a boa inconformidade com as injustiças e ousam mudar o mundo. Mesmo que seja o mundo da escola ou da sala de aula. Revolucionários de uma boa causa. Oferecem o vigor da juventude para lutar por um novo amanhã.
Somos diferentes, Senhor! Carregamos em nossa memória a bagagem depositada desde os primeiros instantes da convivência. Mãe, pai, irmão, irmã, avô, avó, tio, tia, primo, prima, amigos. Há um pouco de cada um de nós. Somos produtos do meio.
E o meio que nos molda não retira nossa identidade. Eis o desafio do estudante sonhador: empreender uma batalha diária entre o mundo exterior e o mundo interior. Aproveitar o que há de bom fora de nós e transformar o que deve ser transformado, buscando a força que nos habita.
Somos estudantes. Corajosos, cheios de charme e de vida. Somos jovens. E não nos preocupamos muito com o que há de vir depois. Não pensamos ainda no envelhecimento, na morte. Parece tudo tão distante. A estrada está apenas começando, e o horizonte parece não ter fim.
E é essa valentia que às vezes nos faz inconseqüentes. É essa valentia que nos lança a uma busca incessante de liberdade. E quantas vezes essa busca desemboca em becos sombrios. E a liberdade se faz armadilha e, na viagem sem volta, nossa inocência se dissipa. Drogas que nos oferecem. Droga de vida transformada pela falta de coragem de dizer não.
Buscamos o prazer. Buscamos a aceitação. Temos essa necessidade: sermos aceitos, acolhidos. Queremos nossa tribo, nosso grupo. Queremos ser ouvidos. Muitas vezes, não temos a menor noção do que estamos falando. Empunhamos bandeiras. Ora corretas, ora erradas. Temos o direito de errar. Aprendemos com esse direito. Não temos o direito de acabar com a possibilidade de ter direito.
Nossa vocação é a liberdade. As carrancas da escravidão não podem impedir o vôo do pássaro. Nascemos para voar. O infinito é nossa vocação. Quanto mais caminhamos, mais sedentos de caminhar ficamos. Eis nosso ofício. Transformar o que deve ser transformado e nunca deixar de cantar, e de fazer poesia, e de amar.
Tu és, Senhor, nosso modelo de juventude. Tua vida foi a síntese da revolução do amor. E é o amor que nos move. Fazemos tudo pelo amor e em busca do amor. Amor que, quando nos invade, impede que sigamos para a morte. Queremos nos deixar invadir por esse amor.
Queremos o Teu amor. Amor-paz. Amor-caridade. Amor-vida. Eis o segredo de nossa eterna juventude. Eis o que pede nossa alma de estudante. O aprendizado que vem dos livros e dos tratados um dia será esquecido. O aprendizado que vem do olhar, do sorrir, do amar, do viver, fica para sempre. E fará que permaneçamos jovens.
Obrigado, Senhor, porque me deste tempo e disposição para, em meio ao vulcão que assola meus pensamentos, fazer esta oração.



Amém!




Gabriel Chalita

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